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sexta-feira, 11 de junho de 2010

Festas Juninas - Começando com Santo Antônio



Santo Antônio, São João e São Pedro... É festa pro mês todo, com muita comida, muita bebida e muita dança de quadrilha.
É milho verde cozido, milho assado, canjica, mucunzá, pamonha e bolo de milho. Amendoim, paçoca, bolo de mandioca, cuscuz e cocada.
Pra beber tem quentão, leite de onça e as famosas batidinhas com cachaça.

São João a vinte e quatro / São Pedro a vinte e nove
Santo Antônio a treze / Por ser o santo mais nobr
e

Mas, tenho pra mim que Santo Antônio é o santo mais popular que existe.
Já teve até nota de dinheiro com a sua imagem, do lugar que ele nasceu. E, como moda nova, ter uma nota dessas em casa, não faltará dinheiro na carteira. Por via das dúvidas, essa é minha!

Cresci ouvindo as pessoas fazendo sempre um pedido a ele: “Valei-me meu Santo Antônio” / “Ah! Meu Santo Antônio!” / “Me ajuda, Meu Santo Antônio, a encontrar ......”, e por aí vai...
É santo casamenteiro, milagroso e glorioso.

Santo Casamenteiro.
Toda a moça que quer casar faz logo um pedido pra ele.
Diz uma lenda que uma moça pediu pra ele um casamento, e o tempo passou e nada acontecia. Até que, muito zangada, pegou da imagem e jogou pela janela. Ia passando um moço e, coitado, foi atingido pelo santo e caiu desmaiado. A moça arrependida tratou logo de socorrer o moço. E durante os cuidados, não é que os dois se apaixonaram e acabaram se casando! Então a partir daí, Santo Antônio pegou fama.

Santo Antônio me case já / Enquanto sou moça e viva
Porque o milho colhido tarde / Não dá palha nem espiga


As mulheres que desejam casar – muitas delas velhas e feias, trazendo para o Santo sérias dificuldades – quando não são atendidas, fazem judiações com o Santo.
Entre elas: colocam-no de cabeça para baixo, roubam o menino Jesus de seus braços, amarram-no em cordas, às vezes, descendo-o na água de uma cacimba, dão-lhe surras e até colam na sua tonsura uma moeda, como quem deseja suborná-lo.


E é promessa de todo o jeito. E, o comércio tratou logo de fazer umas imagens bem pequenas (5 cm) em madeira pras moças levarem na bolsa.

A história do pão de Santo Antônio
Santo Antônio certa vez, distribuiu aos pobres todo o pão do convento em que vivia. O frade padeiro ficou em apuros quando, na hora da refeição, percebeu que os pães tinham sido "roubados". O frade padeiro foi contar ao santo o ocorrido. Este mandou que verificasse melhor o lugar onde os tinha deixado. O Irmão padeiro voltou estupefato e alegre: os cestos transbordavam de pão, tanto que foram distribuídos aos frades e aos pobres do convento.
Ainda hoje é feita, nas igrejas, a distribuição do pão e, por tradição, os fiéis o guardam nos sacos de farinha para que nunca lhes falte o que comer.

Milagre de Santo Antônio
E tem ainda esta história, talvez a mais famosa, que veio de Portugal, e por aqui ganhou detalhes:

"O pai de Santo Antônio ia passando por uma estrada quando viu um homem caído no chão e foi socorrer. Chegando perto viu que estava morto. O assassino que estava escondido aproveitou o lance e foi denunciar à polícia, dizendo que tinha sido o pai de Santo Antônio quem matou o homem.
O pai de Santo Antônio foi preso e ia ser enforcado. Na hora da execução, um anjo foi avisar o frade Antônio que rezava missa e cantou no seu ouvido:

“Antônio,socorre Antônio / Neste mesmo Continente,
Vai livrar teu pai da forca / Que vai morrer inocente.”


Então Santo Antônio pelo poder que ele tinha: o espírito se desligou do corpo e foi na cidade aonde o pai ia ser enforcado. Chegando, lá estava o morto, o pai dele pra morrer e o caluniador, o verdadeiro assassino.
Então Santo Antônio falou pro morto:

Se levanta corpo morto / Pelo Deus que nos criou;
Venha aqui justificar / Se este homem lhe matou.”


O morto respondeu:

“Este homem não me matou / Ele apenas me ajudou,
Foi uma língua maldita / Que calúnia a ele levantou.”


O espírito voltou pro corpo de Santo Antônio e terminou a missa. Ao mesmo tempo que rezava a missa ele salvava o pai.
E ficou justificado que o pai não matou o homem, se livrando da forca, e ele não deixou de rezar a missa." (Versão de Dona Lizete de Aracaju - Sergipe)

Uma outra versão dita em versos:



E aqui uma receita pra comer em Santo Antônio, repetir em São João e em São Pedro, pois por mim não enjôo não:

Mucunzá
"Toma-se o milho próprio e deixa-se de molho em água fria durante a noite. No dia seguinte lava-se e vai ao fogo para cozinhar em água. Quando o milho está tenro, põem-se leite de coco, sal e açúcar. Deixar ferver um pouco. O leite de coco pode ser substituido por leite de vaca", receita recolhida por Gilberto Freire.

Nota:
Mucunzá ou Manguzá como é conhecido no nordeste. Aqui no Rio de Janeiro diz-se que é canjica. No nordeste, canjica é feito uma papa feita com milho verde.

-250g de milho de canjica que ficou de molho em água durante a noite / leite de um coco ralado fresco e espremido / água suficiente pra dar caldo, a gosto (mais ou menos 1 litro e meio) / açúcar a gosto (ou 1 xícara)/ uma colherinha de sal / cravo e canela em pau.

Coloque na panela de pressão com a água e cozinhe por 50 minutos ou até que fique bem macia. Coloque em uma panela maior e acrescente o leite de coco,o sal e o açúcar.
Acrescente a canela e os cravos. Deixe ferver por 20 minutos.
Desligue o fogo, deixe repousar por alguns minutos. Sirva ainda morna.


Livros consultados:
O Folclore em Sergipe (Jackson da Silva Lima)
Folclore Brasileiro – Pernambuco (Waldemar Valente)
Comes e Bebes do Nordeste (Mário Souto Maior)

Fotos: A primeira foto é da igreja do Valongo, (Santos-SP), uma das imagens mais bonitas que eu já vi. do site Olhares
A foto de 20 Escudos é minha, as outras são da internet (alhures).

E pra finalizar, um vídeo que recebi por e-mail da Cristina Siqueira. Lindo!



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Esta faz parte de uma Blogagem Coletiva, por iniciativa da ZAMBEZIANA
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10 comentários:

  1. Mucunzá eu gosto muito não... Acho meio enjoativo, assim, porque aqui fazemos o salgado e o doce, e só experimentei o doce, o salgado achei meio assim, sei lá, rs. Mas, comentário fresco a parte, Santo Antônio é o santo padroeiro de uma cidade aqui do Ceará chamada Barbalha, fica na região sul do Estado. É uma cidade que faz parte do "complexo" CRAJUBAR (Crato, Juazeiro do Norte e Barbalha). A festa do dia 13 é uma coisa fenomenal! Começa já em maio, com o corte do "pau da bandeira", que sempre é um diferente a cada ano, e essa madeira é levada para a cidade, por vários homens, bem pesada, um espetáculo, visto que as mulheres solteiras acreditam que, se pegarem lascas da madeira e fizerem chá, podem conseguir um companheiro. No início do mês de junho, é inaugurada a bandeira de Santo Antônio, todo ano uma diferente, pintada a mão por uma artesão da região... As mulheres também acreditam que se escreverem seus nomes atrás do tecido da bandeira conseguem "desencalhar". Esse final de semana tem mais festas em homenagem à Santo Antônio, a cidade e várias pessoas da região a visitam, espero poder ir até lá dar uma conferida pela primeira vez. É a fé e o desejo de namoro que move essa festa que faz parte da cultura da região já!!

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  2. Fabiana,
    Adorei seu comentário, pois você acrescentou informações deliciosamente interessantes.
    Bjs.

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  3. Que Linda Postagem Estela. Eu sempre gostei das festas juninas.

    Beijo

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  4. Querida Estela
    Tua postagem esta uma pequena MARAVILHA! Tem de tudo! Os ditos e histórias jocosas a propósito da sua "qualidade" de casamenteiro...ri-me com aquela em que o moço apanhou com o Santo na cabeça e daí, um casamento feliz... tantas preces, algumas nem conhecia...Sei da tradição do pãozinho de Santo António e a sua distribuição na Igreja e não só, mas...desconhecia a bonita história como tudo começou...
    O vídeo, cinco estrelas a completar uma trabalho exaustivo e depois...os acepipes proprios desta época, diferentes dos daqui de Portugal mas, demonstrativos como em honra de Santo António TANTA coisa é feita por todo o lado do mundo,mostrando a universalidade do nosso SANTO!
    Estelinha, este é um post muito teu: com gosto, com graça e muita criatividade!
    PARABENS e obrigado por teres aderido a esta blogagem colectiva, enriquecendo mais o tema que foi proposto.
    Beijo carinhoso.
    Graça/ZAMBEZIANA

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  5. Bela postagem! Gostei de ver o meu Santo Padroeiro tão bem tratado.
    Feliz Festas juninas...

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  6. Estela,como prometi, aqui estou..
    Parabéns pela postagem!!!As festas juninas são muito comemoradas aqui no Nordeste: concurso de quadrilhas,forró,guerra das espadas,muita comida típica e muita alegria.
    No São João,vou postar algumas curiosidades.
    No blog que fiz,coloquei imagens de comidas típicas como pamonha,pé-de-moleque,canjica,maçã-do-amor;brincadeiras realizadas nas quermesses e jogos, mas deletaram....rsrs.Graça esteve lá.Hoje, acordei cedinho para colocar a minha nova postagem....
    Um beijo querida
    Emilinha

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  7. Querida Estela.
    Estou em falta há muito tempo. Costumava visitar mais o Lua Branca, mas vi que tem tido pouco movimento. Grato pela visita ao meu espaço. Por estas bandas de além mar. ou seja do outro lado do Atlântico, Portugal, é o mês que mais festas fazem. A mais concorrida de todas é a do S. João ,em especial na cidade do Porto( norte de Portugal ). Cultiva-se o mangerico para pôr á janela e, vamos todos para a rua durante toda a noite folgazar.Em Lisboa, realmente é o Santo António, o Santo padroeiro da cidade. Há comes e bebes em todos os bairros, marchas populares e os célebres casamentos coletivos.No entanto a tradição já se vai perdendo um pouco. Outros tempos, outras gentes. Quanto á tua postagem que mais posso dizer? Belíssima.
    Nota:- Nós por cá costumamos dizer festas Joaninas, enquanto vocês dizem Juninas, Porquê?
    Um grande abraço e que gozes muito estas festas.

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  8. Estela querida amiga,

    E que Santo Antonio lhe cubra de bençãos pois por aqui ele foi muito bem tratado.Maravilha de trabalho ,de raiz ,sagrado.
    Com carinho,


    Cris

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  9. Estela,

    Vim admirar o seu post sobre o Santo António....soube dele através do blog da Graça...
    Muito completo e interessante, aprendi com ele mais sobre o nosso querido Santo.
    Belo trabalho. Gostei de conhecer este cantinho.

    Um abraço

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  10. Desculpa estela de só hoje vir ler a tua postagem,está uma maravilha e sobre Santo Antonio ser conhecido por casamenteiro é verdade,pois quando conheci meu marido foi na festa de Santo Antonio na terra dos pais dele,lá tem uma capelinha com o Santo Antonio
    meu marido levou-me lá dentro e par se fazer engraçado, pedio ao Santo uma noiva......ao fim de 18 meses estávamos a casar,a partir dai é o nosso santo preferido.
    Muitos beijinhos e adorei tudo que escreves-te
    Graça

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