Acompanhar este blog

sábado, 15 de agosto de 2015

Cheiros e ruídos


O entardecer vinha perfumado pelas roseiras. Sempre imaginava que o ar era carregado de pétalas, mas por algum processo, o vento captava, ao passar, apenas o perfume.
Os jardins eram enormes, mas o cheiro das rosas prevalecia. Atrás da casa, sentia-se o odor dos pinheiros e, mais adiante, o dos eucaliptos. As mangueiras só recendiam quando estavam carregadas e no laranjal sempre achei que o perfume era de flor e não de fruta.
Assim cada lugar tinha o seu cheiro peculiar e, quando havia lua, os diversos perfumes pareciam ficar mais fortes, ativados pelo luar.
Dentro da casa, cada quarto tinha o seu perfume (...)
Quando voltava do colégio o cheiro vinha sempre da cozinha. Cada tipo de galinha tinha o seu perfume familiar – galinha assada, de molho pardo, ensopada com mangaritos. O feijão mulatinho recendia sempre. Percebia-se logo a hora em que era refogado, o odor do alho fritando na cebola. Era um cheiro quente.
(...)
A roupa era lavada no grande tanque do Rancho e pendurada em varais intermináveis. Uma boneca de anil pousava sempre na borda do tanque, como uma caixa de Pandora, escondendo o branco. Havia mil odores e mil ruídos – o lavar, o enxaguar, o estender da roupa. Depois, o ferro deslizando na mesa, pousando na lata e a lavadeira soprando. Por fim, o barulho surdo do dobrar dos lençóis, empilhados cuidadosamente e colocados no armário por vovó. Tudo isso mesclado do ruído dos passos, de vozes e cantigas. (...)
De noite, ouvia-se o coaxar dos sapos, silvos de serpente. De manhã era o mugir dos bois abafando o canto dos passarinhos.
(...)


Rachel Jardim - do seu livro Cheiros e Ruídos

***

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Flores no Azul...

Participado da blogagem coletiva de;

São borboletas ou são
Flores que criaram asas e voaram para o Azul?

***




terça-feira, 12 de maio de 2015

A Peste

A Peste

Palavrões também saem de moda.
Nem faz muito tempo, era comum num momento de raiva ou inquietação, se ouvir da boca de muitas pessoas, com muito gosto, o impropério “peste”. – Eita peste! Ô peste! 
Uma palavrinha mágica, pois após proferi-la, parecia que a calma se avizinhava.
Seria essa a função da “peste”, trazer calma para quem a requisitasse?

Pois bem! 
Conta-se que a “Peste” é uma senhora alta, muito magra, esquálida até. Trajava um vestido preto todo esfarrapado, trazendo sempre na mão uma agulha de costura imensa com linha enfiada, pronta para o uso. Isto porque, toda vez que se sentava para costurar seu vestido, alguém a chamava, e ela, rapidamente corria para atender tal pessoa. Por vezes, na pressa, conforme o tom e a intensidade do chamado, acabava por rasgar ainda mais o seu vestido.
Conta-se ainda que esta senhora ficava muito zangada e trazia sua agulha, também com a intenção de espetar quem a havia chamado, mas isto se tornava quase que impossível, pois mal chegava perto do indivíduo, outro já a estava chamando.

Nos dias de hoje, não tenho conhecimento que as pessoas continuem chamando por ela. Talvez em lugares mais remotos ou pessoas de mais idade ainda se lembrem da “Peste”.
Acredito que esta senhora tenha conseguido, por fim, costurar o seu vestido e, quem sabe, até ter feito um novo e bem colorido.

Texto de Estela Siqueira




segunda-feira, 4 de maio de 2015

Para quem ama artesanato

Achei no Blog: So Sweets So Cute Meu Lar Meu Coração

Paper Napkin Transfer Criando seu próprio papel de scrapbook com guardanapo de papel

Hoy un tip muy frugal para participar del Finde Frugal de Colorin Colorado que nos invita Marcela,perdoname que está en português el tutorial, estoy muy gripada y lo hice muy rápido para no perder la fiesta tan bonita de Marce..
Vou fazer uma transferência de servilleta y transformá-la en una hoja de papel de scrapbook.
1.Escolha o guardanapo de sua preferência
2. Filme plástico; esse que usamos na cozinha para embalar alimentos.
3.Papel A4 que usamos para impressora, ou pode ser de uma gramatura 120 ou 180 grs,vai depender do trabalho que vai ser feito.
4.Coloca-se o filme plástico na folha de papel A4 prenda com alfinetes para poder recortar as sobras do filme plástico sem que o filme saia do lugar.
5.Deixe apenas uma pequena sobra do plástico
6.Escolha o guardanapo de papel(servilleta)

7.Retire as duas películas adicionais, deixando apenas o estampado.Coloque o guardanapo em cima do filme plástico e por cima do guardanapo papel manteiga.   

Coloque então nessa ordem:
Papel A4
Filme Plástico
Guardanapo
Papel Manteiga
Eu costumo fazer com o forro antiaderente da mesa de passar roupa para que quando derreta o filme plástico não grude em nada e saia facilmente.



8.Coloque o ferro sem o modo vapor na temperatura máxima, e com muito cuidado vá passando o guardanapo principalmente nas pontas para que fique com uma boa adesão.   

9. Veja que lindo resultado,um papel com a transferência do guardanapo sem rugas ou marcas, pronto para ser usado em qualquer projeto. 
Este papel A4 é de 75grs Você pode fazer de distintas gramaturas.
Gosto também de usar papel cartão para fazer Tag,recorto o tag e transfiro o guardanapo da mesma maneira para o tag recortado. 
O cartão fica completamente liso,sem rugas ou marcas,como se tivesse sido feito com folhas de scrapbook.
Com a variedade de guardanapos podemos fazer diversas folhas diferentes e economicamente mais interessante.  

 ~ ~

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Aulas de Bordado





Eu gostava muito das aulas de bordado da minha escola. Cada aluna pegava o seu material e a mestra, então, ia ensinando uma por uma, ponto por ponto. Com que doçura ela fazia isto!
Ponto de haste, ponto atrás, ponto cheio, ponto corrente, bainha aberta, ponto Paris, entre outros...
O primeiro trabalho era uma amostra com os pontos mais básicos. A mestra observava todas nós e à medida que uma aprendia bem os pontos, ia ajudando a uma outra colega que apresentasse alguma dificuldade.
Depois que tínhamos aprendido os pontos básicos, teríamos a tarefa de fazer um trabalho para apresentar, no final do ano, na exposição promovida pela escola.
A escolha seria ao gosto de cada uma, então saíamos em busca do material nas lojas especializadas. O tecido já era vendido riscado para bordar. Eram muitas as opções de riscos, mas na sua maioria, ingênuos e românticos. Escolhíamos as cores e texturas das linhas para melhor representar os trabalhos. Chegávamos em casa eufóricas, já imaginando como ficaria aquele pedaço de pano todo bordado.
Os motivos de flores eram os meus preferidos, e passo a passo eu ia plantando flores com os pontos mais bonitos que aprendera: jardins bordados de sonhos coloridos.

Estela Siqueira

***

terça-feira, 14 de abril de 2015

OBSERVATORIO DO VALONGO - RJ


Prédio principal 
Foto de Nilton Maia 

 "Ora ( direis ) ouvir estrelas!
Certo, perdeste o senso!
E eu vos direi, no entanto
Que, para ouví-las,
muitas vezes desperto
E abro as janelas, pálido de espanto "
(Olavo Bilac)

Relógio de Sol
Foto de Nilton Maia


Sim, pálidos de espanto ficamos nós ao visitar o Observatorio do Valongo. 
Uma viagem ao passado e rumo ao mistério das estrelas; além de 
mais uma vista desta nossa cidade, o Rio de Janeiro.
Uma visita imperdível para os que gostam de olhar o céu.

Cronômetros
 Foto de Estela Siqueira


 Cúpula menor
Foto de Nilton Maia


Cúpula maior
Foto de Nilton Maia 


 Céu visto da fenda da cúpula
Foto de Nilton Maia

 Instrumentos ópticos
Foto de Estela Siqueira


 Luneta
 Foto de Nilton Maia


 Telescópio fabricado no final dos anos 1800
 Foto de Nilton Maia


 Fenda da cúpula e telescópio
Foto de Nilton Maia


 Telescópio menor
Foto de Nilton Maia


 Vista do mar (Ponte Rio-Niterói)
Foto de Nilton Maia


Vista dos morros
Foto de Nilton Maia


COMO CHEGAR:

OBSERVATÓRIO DO VALONGO - UFRJ
Ladeira Pedro Antônio, Nº 43 – Morro da Conceição – Centro -  RJ 
Acessos: Pela Rua Major Daemon (2ª rua à esquerda, a partir do início da Rua do Acre),
 pela Rua Jogo da Bola (acesso pela Rua Sacadura Cabral) ou 
pelo Jardim do Valongo (na Rua do Camerino). Este último acesso é 
o mais curto, mas com duas escadarias.

As visitas gratuitas e guiadas por astrônomo podem ser feitas de segunda a sexta, das 11 às 16 horas.

***

segunda-feira, 2 de março de 2015

O QUINTAL DA MINHA AVÓ





Era um quintal bordado de sombra e sol. Havia canteiros ao redor da casa, junto ao muro, e pequenas bancadas onde minha avó costumava preparar suas mudinhas. O muro, já bem velho e com suas marcas do tempo, resguardava com orgulho esse pequeno paraíso. A goiabeira e um pé de romã ficavam esquecidos lá no fundo.
A romãzeira, quando florescia, iluminava aquele canto com suas flores coloridas, como lanternas em dias de festa. E os frutos, quando amadureciam, se abriam em sorrisos.

As hortênsias... Estas me fascinavam, pareciam querer sempre me agradar com suas flores pequeninas e delicadas, unidas em buquês, imensas bolas coloridas trazendo mais alegria ao jardim... Brancas, azuis e cor de rosa, havia algo de mágico em como elas contrastavam com o verde de suas folhas.

Também havia rosas, cravinas e jasmins. O vento levava o perfume dessas flores pra dentro da casa, deixando uma nuvem de bem estar. E as borboletas passeavam, fazendo lindos bailados no ar. Era mesmo um jardim encantado. Por certo, era moradia de fadas!

Minha avó gostava de plantar mudas em pequenas latas, com que presenteava ou vendia, quando aparecia freguês na bodega. Vó e as plantas se entendiam muito bem, tudo florescia como num passe de mágica.
Seria minha avó, uma fada?
Acho que sim...

(Estela Siqueira – 27/02/2015)

Foto das mudinhas plantadas por um dos netos da minha avo, meu irmão Tonhito, atualmente.


                                                                 ***