Acompanhar este blog

Mostrando postagens com marcador Caixa de Lembranças. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Caixa de Lembranças. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 22 de maio de 2018

O pão doce...





Na minha infância, em Nova Iguaçu, lá pelos anos 1960, todos os dias, por volta das três horas da tarde, o padeiro passava com seu triciclo cheio de guloseimas. Ao ouvir as buzinadas, eu era a primeira a chegar ao portão. Ele já estava esperando, pois lá em casa era freguesia certa. Além das tradicionais bisnagas de pão francês, ele também trazia pães doces, broinhas de coco e de milho.
Como eu gostava daquelas broinhas de coco! Elas vinham agarradinhas e com floquinhos de coco e açúcar por cima. As de milho também eram deliciosas, polvilhadas com a própria farinha de milho e açúcar. Tinha também o “pão vita”, um pãozinho de forma macio e delicioso.
Dentre os pães doces, os meus preferidos eram os recheados com canela e açúcar, de feitio todo enroladinho, que a gente ia desenrolando e mordiscando devagar para melhor saborear.

Hoje, passando na padaria não resisti aos olhares deste pão doce (foto), que apesar de não ser de canela, tem o mesmo feitio enroladinho daqueles da minha infância.
Meu café da tarde foi recheado com lembranças...


Obs.: Ainda nos dias atuais, um padeiro continua passando por lá, no mesmo horário, virou tradição.

(Estela Siqueira)

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

O gato Chuvisco


O gato Chuvisco

Chuvisco era um gato de olhos muito azuis e bastante curioso, estava sempre a procurar novidades. Morava a duas casas da minha.
Sua dona o tratava muito bem e ele se deliciava nos seus afagos. Na casa ainda moravam o pai e dois irmãos da sua dona. O pai apesar de ser um velho ranzinza, não lhe queria mal. Mas os dois irmãos não simpatizavam muito com ela, era ele chegar perto e, logo ouvia um “sai daqui”.
Um dia sua dona se casou com um moço  e foi morar em um apartamento e como não teria com quem deixa-lo, ela acabou o entregando aos cuidados do velho pai.
“E agora” - pensou o gato – “o que fazer sem minha dona?”
 O jeito era conquistar o velho que, para sua surpresa passou a cuidar dele com muito carinho, talvez fosse saudade da filha.
Daí os dois se apegaram muito, um ao outro.  Um dia o velho adoeceu e foi preciso ficar no hospital por dez dias e, Chuvisco ficou novamente só, tentou se chegar às outras pessoas da casa, mas elas realmente não lhe davam atenção.
Chuvisco então resolveu sair por aí e foi pulando os muros das casas vizinhas. Eu estava na varanda quando ouvi um miado tão fraquinho. Chuvisco me olhava de cima do muro como que a pedir socorro. Convidei-o a entrar e dei-lhe água e comida. Ele me agradeceu com muitos miados e afagos nas minhas pernas. E Chuvisco foi se adaptando e ficando como se sempre fora meu.
Seu dono saiu do hospital e Chuvisco voltou para ficar com seu Velho, mas todo dia vinha me visitar (coisas de gatos). 
Em pouco tempo, o Velho veio a falecer e, Chuvisco miou muito nesse dia.
Na manhã seguinte, enquanto fazia as arrumações da casa, eu escuto um miado vindo da varanda, era Chuvisco que voltava para ficar definitivamente.

Era a véspera de Natal e ele veio pra ficar. Este foi o meu melhor presente.


***

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Cantiga






Você lembra, Olguinha, quando fez parte do teatrinho da escola?
Era a encenação de uma cantiga “Sombrinhas”. Um grupo de meninas entrava no palco. Cada menina trazia uma sombrinha da mesma cor do vestido que usava.
As sombrinhas eram abertas, todas ao mesmo tempo e as meninas passeavam pelo palco enquanto cantava a pequena cantiga:

“Nossas sombrinhas de cores,
brancas azuis e cor de rosa
parecem juntar as flores
de uma estufa caprichosa.
Resvalando o sol ardente
numa beleza sem par
que delícia para a gente
sob as carícias do mar.
Manhã serena, cheia de luz, da tarde amena
que nos conduz
serenas, abertas, em pleno arrebol.
Hei-nos alertas
fugindo ao sol.”

Ao final da cantiga, as meninas se perfilavam no palco. Uma a uma se destacavam do grupo e recitavam cada qual uma pequena poesia falando da cor que representava. As outras meninas continuavam cantando, apenas sussurrando, como se fosse uma cantiga de ninar.
Você tinha dez anos de idade, Olguinha, e estava linda de azul.
Azul era o seu vestido, azul era sua sombrinha, a sua poesia... Azul era o seu sonho.
Você lembra, Olguinha? Era setembro.

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Aulas de Bordado





Eu gostava muito das aulas de bordado da minha escola. Cada aluna pegava o seu material e a mestra, então, ia ensinando uma por uma, ponto por ponto. Com que doçura ela fazia isto!
Ponto de haste, ponto atrás, ponto cheio, ponto corrente, bainha aberta, ponto Paris, entre outros...
O primeiro trabalho era uma amostra com os pontos mais básicos. A mestra observava todas nós e à medida que uma aprendia bem os pontos, ia ajudando a uma outra colega que apresentasse alguma dificuldade.
Depois que tínhamos aprendido os pontos básicos, teríamos a tarefa de fazer um trabalho para apresentar, no final do ano, na exposição promovida pela escola.
A escolha seria ao gosto de cada uma, então saíamos em busca do material nas lojas especializadas. O tecido já era vendido riscado para bordar. Eram muitas as opções de riscos, mas na sua maioria, ingênuos e românticos. Escolhíamos as cores e texturas das linhas para melhor representar os trabalhos. Chegávamos em casa eufóricas, já imaginando como ficaria aquele pedaço de pano todo bordado.
Os motivos de flores eram os meus preferidos, e passo a passo eu ia plantando flores com os pontos mais bonitos que aprendera: jardins bordados de sonhos coloridos.

Estela Siqueira

***

segunda-feira, 2 de março de 2015

O QUINTAL DA MINHA AVÓ





Era um quintal bordado de sombra e sol. Havia canteiros ao redor da casa, junto ao muro, e pequenas bancadas onde minha avó costumava preparar suas mudinhas. O muro, já bem velho e com suas marcas do tempo, resguardava com orgulho esse pequeno paraíso. A goiabeira e um pé de romã ficavam esquecidos lá no fundo.
A romãzeira, quando florescia, iluminava aquele canto com suas flores coloridas, como lanternas em dias de festa. E os frutos, quando amadureciam, se abriam em sorrisos.

As hortênsias... Estas me fascinavam, pareciam querer sempre me agradar com suas flores pequeninas e delicadas, unidas em buquês, imensas bolas coloridas trazendo mais alegria ao jardim... Brancas, azuis e cor de rosa, havia algo de mágico em como elas contrastavam com o verde de suas folhas.

Também havia rosas, cravinas e jasmins. O vento levava o perfume dessas flores pra dentro da casa, deixando uma nuvem de bem estar. E as borboletas passeavam, fazendo lindos bailados no ar. Era mesmo um jardim encantado. Por certo, era moradia de fadas!

Minha avó gostava de plantar mudas em pequenas latas, com que presenteava ou vendia, quando aparecia freguês na bodega. Vó e as plantas se entendiam muito bem, tudo florescia como num passe de mágica.
Seria minha avó, uma fada?
Acho que sim...

(Estela Siqueira – 27/02/2015)

Foto das mudinhas plantadas por um dos netos da minha avo, meu irmão Tonhito, atualmente.


                                                                 ***

domingo, 27 de julho de 2014

O que fica no coração...





O dia estava nublado e papai saíra com a promessa de trazer um presente pra mim.
Eu fiquei esperando por ele na varanda, quando de repente cai uma chuva grossa e pesada, parecia que o mundo estava desabando. Era uma chuva de verão em pleno inverno!
Acho que choveu uma eternidade.
Naquela época morávamos numa casa sem muros, apenas uma cerca baixa separava a casa da rua, ainda sem calçamento. A poucos metros passava a estrada de ferro, caminho do trem que fazia a linha Central - Paracambi. Era preciso atravessá-la para ir ao centro da cidade.
Papai já estava bem próximo de casa, mas teve que esperar que a chuva passasse, debaixo de uma marquise, do outro lado da linha do trem.

Quando a chuva diminui um pouco ele aproveitou pra tomar o rumo de casa.
Meu coraçãozinho pulou de alegria quando o avistei atravessando a linha do trem.
Ele chegou com os sapatos sujos de lama, trazendo um pequeno embrulho dentro da camisa pra proteger da chuva, já mais amena. Naquela época, não era comum, ou ainda não havia sacolas plásticas, era tudo de papel, então era preciso proteger bem da chuva.

Ele me entregou o embrulho e eu o abri avidamente. Era um livrinho com duas histórias, da Edições Melhoramentos, uma era a história “O Coração que vê tudo” e a outra era “Cada macaco no seu galho”  Não sei quantas vezes eu li aquele livro. Pois eu nunca me esqueci dele.
Era o ano de 1956 e eu estava completando 7 anos. Era o meu primeiro aniversário na cidade do Rio de Janeiro.
Acho que vem daí esse meu gosto por historinhas!

Esta internet tem de tudo!
Achei o livro pelo Google e o encomendei... e ele me chegou à tardinha, como um presente de aniversário!



sexta-feira, 28 de março de 2014

A bodega da minha avó


Quando eu era menina, bem pequena, gastava muito do meu tempo com a minha avó materna. Dona Izaurinha, como assim a chamavam, tinha uma pequena bodega, onde, além de outros artigos, vendia doces, bolachas e bolachões que ficavam guardados em um armário.
Era um armário grande e alto de madeira escura e portas envidraçadas pelas quais podia se ver as mercadorias, guloseimas que muito atraíam o meu olhar de menina gulosa.
Na prateleira de cima ficavam as bolachas e os bolachões.

 Os bolachões tinham esse nome devido ao seu tamanho, eram umas bolachas do tamanho aproximado de um pratinho de sobremesa. Sua massa era seca, quebradiça e adocicada e era costume comê-los com café.
Na prateleira logo abaixo ficavam os biscoitos em forma de cavalinhos. Eram nesses cavalinhos que meus olhos grudavam e puxando a minha avó pela saia eu apontava pra que ela pegasse um para mim. Sua massa era parecida com a do bolachão, por sinal nem tão gostoso assim, mas para mim era a melhor coisa do mundo.
Competindo com os cavalinhos, na prateleira logo abaixo, ficavam os “tijolinhos”, docinhos de leite que se desmanchavam na boca, espalhando cheiro e sabor delicados que me enchiam de prazer e felicidade.

Na hora do lanche, minha avó me servia café com leite numa xícara verde de ágata e um cavalinho, e depois de tudo, um tijolinho de doce de leite...

Tudo ali cheirava bem, açúcar, baunilha e alfazema, o cheiro da casa da minha avó.

Obs:
Bodega - o mesmo que venda, pequeno armazém
As fotos eu as encontrei na internet, nenhuma delas me pertence.
Alfazema era o cheirinho que minha avó usava nas suas gavetas de roupa.

A casa da avó era contígua à bodega. Podia-se entrar pelo salão de vendas ou por um portãozinho ao lado que dava para o pequeno jardim.

***

terça-feira, 16 de abril de 2013

Doces de minha infância


Numa das esquinas por onde costumo passar encontrei um vendedor de doces. São aqueles que fizeram parte da  infância de quase todo mundo. Não resisto a um destes docinhos.

Geléia.


Doce de abóbora.

Doce de batata doce. 


Mas o de batata doce me levou a um tempo mais distante e me lembrei do Doce de Batata Jozélia.
Quando eu era menina, bem pequena , ainda na cidade que nasci, havia um homem chamado "Seu Zéo", que fazia o doce de batata doce mais gostoso que eu já comi na minha vida.Era um doce pastoso, amarelinho claro e cheiroso como ele só.
Eu ainda não tinha sete anos de idade e a lojinha ficava a poucos metros da minha casa na virada de uma das ruas. Minha mãe me dava o dinheiro e ficava na porta de casa me olhando, quando eu chegava na dobra da rua, olhava para trás pra ver se ela estava lá pra me sentir confiante.
Entrando na lojinha estendia a mão com o dinheiro e Seu Zéo já corria a me atender.
A medida era uma espátula de madeira, que Seu Zéo pegava com a mão direita e na mão esquerda, espalmada, ele colocava um pedaço de papel (não sei se já era papel manteiga) onde seria colocado o doce. Com um movimento lento, ele tirava a porção do doce de dentro de uma lata bem grande e colocava no papel.
Meus olhos de menina gulosa acompanhava todo aquele ritual. Quando ele me entregava aquele papel com o doce de batata doce, eu me transformava na menina mais feliz do mundo.
Era o Doce Jozélia, que Seu Zéo colocou em homenagem aos seus dois filhos José e Zélia.
A fábrica resiste ao tempo, agora com novos donos, mas que continua fazendo o doce de batata. muito gostoso e apreciado por todo o estado de Sergipe, arredores e outras estâncias mais distantes.

Nas minhas andanças pela internet encontrei a história do meu doce. Imagina como fiquei feliz! Pois confirmou toda esta minha lembrança de menina.
A história está AQUI.

Como não tenho foto do Doce de Batata Jozélia, deixo a foto dos três docinhos que também fizeram parte da minha infância.


...