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sábado, 10 de junho de 2017

Chita bonita


Vesti meus cabides com chita para as roupas não escorregarem...





Chita bonita


A chita é um tecido cheio de flores coloridas que mais parece um jardim. Tem flores de vários tamanhos, de todas as cores e sempre muito alegres.
A chita nasceu na Índia medieval, terra cheia de mistérios e sedução, acho que por isso ela é tão encantadora. Os portugueses quando lá estiveram, se encantaram e levou a chita para Portugal.
Pouco depois do descobrimento, lá pelos anos 1800, os portugueses trouxeram a chita para o Brasil.  Foi a alegria das mulheres, que começaram a fazer lindos vestidos, enchendo as ruas das cores alegres da chita. Mas por ser um tecido muito barato,o morim, só ganhou popularidade entre as mulheres mais pobres. As mulheres mais ricas preferiam a seda, tecido mais nobre que as diferenciavam das demais.
Com o passar do tempo ela foi sendo fabricada aqui mesmo no Brasil, ganhando simpatia, conquistando a todos com seu colorido. A chita continua simples e bonita, mas ganhou uma conotação mais chic.
Hoje ela é muito apreciada, tanto em peças de roupas, como em acessórios, decoração e artesanatos.
Quando as flores são pequenas, dizemos que é “chitinha”, de flores grandes é “chitão”. Mas é tudo a mesma chita, tecido de algodão em trama frouxa e engomadinha, o morim. Só é chita se for morim. Se alguém fizer essa estampa sobre outro suporte que não seja morim, certamente a referência do novo tecido será “estampa de chitão”.

A chita é como uma mulher bonita, despenteada e de pés no chão.



***


terça-feira, 14 de abril de 2015

OBSERVATORIO DO VALONGO - RJ


Prédio principal 
Foto de Nilton Maia 

 "Ora ( direis ) ouvir estrelas!
Certo, perdeste o senso!
E eu vos direi, no entanto
Que, para ouví-las,
muitas vezes desperto
E abro as janelas, pálido de espanto "
(Olavo Bilac)

Relógio de Sol
Foto de Nilton Maia


Sim, pálidos de espanto ficamos nós ao visitar o Observatorio do Valongo. 
Uma viagem ao passado e rumo ao mistério das estrelas; além de 
mais uma vista desta nossa cidade, o Rio de Janeiro.
Uma visita imperdível para os que gostam de olhar o céu.

Cronômetros
 Foto de Estela Siqueira


 Cúpula menor
Foto de Nilton Maia


Cúpula maior
Foto de Nilton Maia 


 Céu visto da fenda da cúpula
Foto de Nilton Maia

 Instrumentos ópticos
Foto de Estela Siqueira


 Luneta
 Foto de Nilton Maia


 Telescópio fabricado no final dos anos 1800
 Foto de Nilton Maia


 Fenda da cúpula e telescópio
Foto de Nilton Maia


 Telescópio menor
Foto de Nilton Maia


 Vista do mar (Ponte Rio-Niterói)
Foto de Nilton Maia


Vista dos morros
Foto de Nilton Maia


COMO CHEGAR:

OBSERVATÓRIO DO VALONGO - UFRJ
Ladeira Pedro Antônio, Nº 43 – Morro da Conceição – Centro -  RJ 
Acessos: Pela Rua Major Daemon (2ª rua à esquerda, a partir do início da Rua do Acre),
 pela Rua Jogo da Bola (acesso pela Rua Sacadura Cabral) ou 
pelo Jardim do Valongo (na Rua do Camerino). Este último acesso é 
o mais curto, mas com duas escadarias.

As visitas gratuitas e guiadas por astrônomo podem ser feitas de segunda a sexta, das 11 às 16 horas.

***

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Organize seu tempo



1- Dedique tempo para trabalhar: é o preço do tempo.

2- Dedique tempo para pensar: é a fonte do poder.

3- Dedique tempo para recrear: é o segredo da juventude.

4- Dedique tempo para ler: é a base do conhecimento.

5- Dedique tempo para adorar: é o caminho para a  reverência.

6- Dedique tempo para os amigos: é o caminho da felicidade.

7- Dedique tempo para amar: é a fonte do bem estar e da alegria.

8- Dedique tempo para sonhar: é o caminho para as estrelas.


P.S. Não sei a autoria, achei num caderno antigo, de apontamentos.

sábado, 3 de maio de 2014

Estátuas

FLORA

VESTAL

Praia Vermelha - Urca - Rio de Janeiro

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quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Retornando com Licor de Anis


"Um mal de amor? Licor de anis.
O anis nos lábios é como um beijo.
Ele tem um adocicado que se demora na boca.
Como dois amantes em lençóis de seda.
Um mal de amor não se quer apagar totalmente.
25% de álcool
Com duas pedras de gelo fica perfeito
O frio equilibra tudo e prepara o terreno para um novo amor.
Um mal de amor é a preparação para uma nova felicidade.
É a porta aberta para outras alegrias."

Do filme: “As Neves do Kilimanjaro” de Robert Guédiguian (Vale a pena assistir)

O filme se refere ao Licor Anisete de Marie Brizard, um licor único desde 1755. Uma receita passada por gerações cujo ingrediente principal é o anis verde do Mediterrâneo, combinado com outras ervas, frutas e especiarias de várias partes do mundo
"No dia 11 de janeiro de 1750, Marie Brizard de 36 anos, atravessava a praça Real em Bordeaux, em uma esquina, Thomas, um marinheiro do oeste da Índia a bordo do Intrépido, estava jogado no chão com muita febre. Marie Brizard o cuidou e salvou sua vida. Como forma de agradecimento, Thomas ofereceu-lhe seu único tesouro: A receita secreta de um licor de anis, composto com 11 plantas, especiarias e frutas que era extremamente refrescante e aromatizado. Nasceu então o licor de Anis da Marie Brizard. Em 1755 em parceria com seu sobrinho Jean-Baptiste Roger, Marie Brizard fundou a jovem companhia Marie Brizard e a primeira destilaria próxima ao porto.
Outro primo, Capitão Paul Brizard, fornecia as especiarias da África e do oeste da Índia. Logo o famoso licor de Anis havia viajado pelo mundo e até servido nos jardins do rei Louis XV em Versailles. No século 19, a companhia estendeu a sua gama de licores e estabeleceu a primeira cadeia de agentes distribuidores a nível mundial. No século 20, Marie Brizard consolidou seu negocio e criou um grupo verdadeiramente internacional. Hoje orgulhosa de seu passado e totalmente comprometida com a inovação, Marie Brizard está se preparando para somar outra centena a sua história."

SOBRE O ANIS:
O anis ou erva-doce (Pimpinella anisum) é uma planta da família das Apiaceae, anteriormente chamadas Umbelliferae. Seu fruto tem a forma de sementinhas, de aroma marcante e poderoso, muito usado em confeitaria, no preparo de bolos, biscoitos, entre outros.

Também se utiliza em sopas, caris e pratos com frutos do mar e ainda ajuda a combater o mal hálito.
O chá da erva doce é digestivo, indicado até para crianças pequenas, ainda bebês, para aliviar cólicas e flatulência.

Todas as partes que ficam acima do solo de uma planta jovem de anis também podem ser comidas. Os caules se parecem com os do aipo na textura e têm sabor bem suave.

Por destilação das sementinhas extrai-se um óleo volátil de anis, o qual é útil no tratamento de flatulência, cólicas abdominais e câimbras. É depurativo e diurético auxiliando no tratamento da obesidade e retenção de líquidos. Ajuda a aliviar os incômodos da TPM.

Em Aromaterapia, no aspecto emocional, sua indicação é o resgate da energia feminina tanto para as mulheres, como também para os homens.
Nas mulheres o entendimento de suas origens, de seu papel na sociedade, de seus direitos e deveres.
Nos homens o entendimento do papel das mulheres na sua vida, o respeito e o amor, a gratidão e o carinho mútuo
Seu aroma doce remete à infância e traz aconchego ao coração.
Quem se lembra do bolo de milho com erva doce preparado pelas nossas avós ou pela nossa mãe? É tudo de bom. Não é mesmo?

A receita do bolo AQUI


SOBRE LICORES:
O licor é uma bebida doce, de alto teor alcoólico que varia entre os 20% e os 28%.
Feitos com álcool, calda de açúcar e extratos aromáticos de frutas, ervas e flores os licores encantam por suas cores e sabores únicos.
Servido em pequenas taças, é ideal após as refeições por serem considerados digestivos. São bastante empregados em receitas doces, coquetéis e muito comum em bombons.

A fórmula do licor, tal como conhecemos hoje, foi elaborada em 1250 pelo alquimista catalão Arnaud Villeneuve, que chegou a ser considerado bruxo, com suas “poções” sempre envoltas em mistérios e segredos, acabou sendo salvo da fogueira da Inquisição por ter curado o Papa com uma dessas poções.
Desde essa época, as fórmulas são guardadas em absoluto segredo, sendo preservadas por gerações.


Fontes de consulta:

Todas as fotos são da internet.

terça-feira, 21 de maio de 2013

Éramos anjos...



Era por volta dos anos 60, um tempo de poucas imagens, pois ainda não havia televisão para todos. Internet então, nem se cogitava ainda em inventar!
O rádio era o maior meio de comunicação, bastante eficaz.  A vida girava em torno dele; neste, ouvíamos as notícias, as novelas, os programas de música e, nos intervalos, as propagandas dos produtos de consumo.
As mulheres sabiam dos últimos lançamentos através das propagandas que ouviam no rádio, propagandas faladas, pura interpretação de vozes, capazes de atingir o público alvo.
Lembro de muitas delas, mas hoje vou falar de uma, pois esta diz muito aos corações femininos: a do Angel Face, da Pond’s, pó compacto que nos conquistou a todas, e que ainda hoje conquista.


Eram vozes que dialogavam, assim:
- Ela é linda! (voz masculina com admiração)
- Ah!  (outra voz masculina com entusiasmo)
- Está noiva! (voz feminina)
- Oh! (as duas vozes masculinas em tom de decepção)
- Usa Pond’s! (a voz feminina com ênfase)
- Aaah! (as duas vozes masculinas com entusiasmo e admiração).
Ao fundo, uma voz cantarolava o jingle – Pond’s, Pond’s, Pond’s...
Depois, o narrador descrevia os benefícios que o Angel Face, da Pond’s, traria, “deixando a sua pele macia e suave como a de um anjo”...


Nós, mulheres, saíamos à busca do produto nas lojas, para ficarmos bonitas e, quem sabe, encontrarmos um noivo!
Éramos anjos e não sabíamos...
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Fotos da Internet.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

A sábia coruja



A SÁBIA CORUJA
“Nursery rhyme” (cantiga de roda) tradicional inglesa
A sábia velha coruja
Sentou-se em um carvalho.
Quanto mais via,
Menos falava.
Quanto menos falava,
Mais ouvia.
Por que não podemos ser como
Esse velho pássaro sábio?

(Tradução do Inglês: Nilton Maia)

Letra original:

The Wise Owl
The wise old owl
Sat in an oak.
The more he saw,
The less he spoke.
The less he spoke,
The more he heard.
Why can't we be like
That wise old bird

Com esta cantiga de roda as crianças aprendiam a importância do silêncio, pois quanto menos se fala mais se pode observar, como as corujas.

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quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

As carpideiras


Todas as manhãs elas partem para o cemitério e param diante das sepulturas onde a morte apanhou recentemente alguém.
Dão-lhes figos, tâmaras e ovos. Um mais pobre lhes oferece um ramo de jasmins. Elas ficam sentadas no meio das tumbas. Algumas amamentam os filhos, outras tecem vários cestos e outras nada mais fazem que conversar.
De repente a mais velha solta um grito. Elas cobrem as cabeças e põem-se a emitir lamentos angustiosos. A outro sinal recomeçam suas ocupações e suas tagarelices.
Entre essas carpideiras Sahaddah é a mais bela e a mais jovem. Por isso lhes dão frequentemente galinhas. Eu me casarei com ela. Certamente é forte e silenciosa, e se eu morrer primeiro suas lamentações nada custarão a meu pai!


Do livro Jardim da Carícias – clássico da literatura amorosa, rara jóia literária produzida pelo gênero lírico dos árabes em todos os tempos – Editora Artenova.


Carpideira é uma profissional feminina cuja função consiste em chorar para um defunto alheio. É feito um acordo monetário entre a carpideira e os familiares do defunto, a carpideira chora e mostra seus prantos sem nenhum sentimento, grau de parentesco ou amizade.

Vem de longe esse ofício, já no Egito Antigo era comum a presença das carpideiras nos enterros. Acreditavam ser a morte uma passagem e o choro seria necessário para que a alma do morto fizesse uma passagem tranqüila.
No túmulo de Minnakht (1500 -1450 a.C.), em Tebas, estão as "Carpideiras do Egito".


Oito séculos depois, em Roma, o ritual das carpideiras era oficialmente indispensável nos velórios. Havia duas classes de carpideiras, a saber:
Prefica, a carpideira paga para os louvores do morto e a Bustuári, que acompanhava o cadáver até o local de incineração, pranteando-o estridentemente conforme a tabela de preços.

Uma outra modalidade muda e simbólica são as Choronas, bonecas, geralmente vestidas de branco com véu negro cobrindo cabeça, rosto e os ombros, com faces sulcadas e cheias de lágrimas.

As carpideiras foram conhecidas em toda a Europa e a tradição de chorar, dançar e ter uma refeição dedicada aos mortos é possivelmente universal.


No Brasil, indígenas e escravos africanos usavam a mesma prática para chorar seus mortos.
Recebemos dos portugueses a carpideira espontânea, lamentando o defunto alheio, gratuita e vocacionalmente. Geralmente os donos do defunto davam-lhe lembranças, roupas, alimentos, dinheiro em troca do ruidoso pranto.

Ainda hoje, no interior brasileiro o chorar o defunto resiste - defunto sem choro é símbolo de indiferença e abandono total.
Os rituais são realizados por velhas ligadas por parentesco, amizade ou por simples vocação. Elas fazem guarda ao defunto iniciando as Excelências ou Incelências, rezas cantadas com voz sinistra e apavorante, que duram até a saída do enterro, de impressão inesquecível para os que assistem. Nessas localidades existem mulheres famosas e ilustres, indispensáveis ao cerimonial popular, de irresistível provocação para o pranto.


Fonte: Dicionário do Folclore Brasileiro - Câmara Cascudo
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segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Lenda da Noite


LENDA DA NOITE

No começo do mundo só existia o dia. A noite estava adormecida nas profundezas do rio, o reino da Cobra Grande.
A Cobra Grande guardava a noite para que ninguém a despertasse.

A filha da Cobra Grande casou-se com um belo jovem, mas nunca se deitava com ele, pois sempre era dia e nunca era noite.
Um dia ela disse ao marido:
- Meu esposo, tenho muita vontade de ver a noite.
- Minha mulher, só existe o dia, respondeu-lhe o marido.
- A noite existe, sim! Meu pai guarda-a no fundo das águas. Mande seus criados buscá-la, suplicou a moça.
Os criados partiram ligeiros em busca da noite. E transmitiram ao pai o pedido da filha. A Cobra Grande então entregou-lhe um coco de tucumã, avisando-os:
- Muito cuidado com este coco! Se ele for aberto, tudo escurecerá e todas as coisas se perderão.
Durante a viagem, os criados ouviram, dentro do coco, um barulhinho assim: xê-xê-xê, tem-tem-tem...
Curiosos, os criados abriram o coco e tudo escureceu.
A moça disse então ao marido:
- Meu esposo, os criados soltaram a noite. Agora tudo ficará escuro e todas as coisas se perderão.
O marido espantado, perguntou-lhe: - Que faremos? Precisamos salvar o dia!
A filha da Cobra Grande, então, arrancou um fio de seus cabelos e disse: - Com este fio, vou separar o dia da noite. Feche os olhos, meu esposo... agora pode abri-los e repare. A madrugada já vem chegando. Os pássaros cantam anunciando o sol.
Mas quando os criados voltaram, a filha da Cobra Grande os transformou em macacos, por sua infidelidade.
Assim nasceu a noite. Assim surgiram os macacos.


Lenda dos Índios da Amazônia do Brasil


Existem muitas maneiras de contar esta lenda, mas esta eu encontrei num livro, bem antiguinho, de 1965 – BRASIL, MINHA PÁTRIA de Theobaldo Miranda Santos ... e achei oportuno postar.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Arruando em Petrópolis



Na sua Cadeirinha de Arruar, a nossa querida amiga Lúcia Bezerra de Paiva vem nos encantando com lindas canções em “Papai Cantava”. Acabamos por descobrir, nesta última postagem - A NATUREZA! - que a canção faz parte do poema - Leonor: Poema Brazileiro em Oito Cantos - escrito em 1866 por J.A. D’Almeida Cunha.

E por conta disto, eu me encantei ao ler o Poema e, em especial quando ele fala sobre a cidade de Petrópolis, aqui no Rio de Janeiro. Quem conhece a cidade vai concordar com as palavras do autor, onde ele revela uma Petrópolis antiga de uma Grande Magia. Cidade serrana que nos encanta até os dias de hoje...

Mantive a grafia original para que não se perdesse sua pureza e autenticidade:

Petrópolis
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Petropolis é a filha da Allemanha
nascida aqui nos climas tropicaes;
princesa vaporosa, que se banha
das agoas transparentes 'nos christaes,
flor, que nasceo 'num cimo de montanha,
beijada por zephiros festivaes.

Camponesa de faces rosi-melias,
d'olhos azues, e de gentis maneiras;
correndo entre boninas e bromélias,
sentada à grata sombra das mangueiras,
c'roada d'açucenas e camelias,
ouvindo o chocalhar das cachoeiras.

Berço de flores onde o viajante,
cansado do ruido das cidades,
vae haurir um perfume embriagante,
lenitivar saudades!

Linda, que fazes tu que te reclinas
de enorme cordilheira á extremidade?
aspiras os perfumes das boninas?
contemplas do Senhor a immensidade?
quem veio, dize, em horas vespertinas
dar-te seiva e calor, gentil cidade?

Tudo em ti é formoso! a naturesa
derramou graças mil 'na tua fronte!
como é formosa a tua camponesa
trazendo agoa da fonte!

A vista encanta-se 'na suavissima
contemplação de flores variegadas,
de estatuas fabuladas postas em mil posturas;
o olfacto se embriaga
'nas magicas doçuras
dos perfumes, que ali
destilla tanta flor;
o ouvido — ao amenissimo
trinado do cantor
nascido 'na floresta,
a alma em prazer alaga;
e o ente une-se à festa
ledo, fora de si,
co'a alma cheia de amor!
Ah! tudo é bello aqui! repuchos, tanques, flores, busios, canteiros, conchas, perfumes inebriantes, cyprestes, morangueiros, murmurios seductores, zephiros inconstantes!

Tudo revela gosto!
Labyrinthos, estradas,
umas quebradas,
tronchas,
outras em linha recta;
caminhos de pé posto,
muros de pitangueiras...

ahi
qualquer poeta
commetteria asneiras!...
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J. A. d`Almeida Cunha – Leonor - Poema brasileiro em oito cantos - 1866



Obs. Para quem não sabe ou não lembra, esses pontilhados significa que tem muita coisa escrita ( destacando apenas uma parte do poema).


A foto eu peguei AQUI.
Palacete Imperial de Petrópolis - Litografia do holandês P. Bertichem.
Palácio construído entre 1845 e 1857 para residência de verão da família imperial. A partir de 1940, o palácio foi transformado no Museu Imperial.


Para entender melhor leia os comentários de Quasímodo e os meus (Estela), entre por AQUI.
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quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Amendoeira em flor


Os gregos antigos contavam uma lenda da bela princesa Fílis, que se apaixonou por um soldado chamado Demofonte. Ela foi deixada à espera no altar no dia do casamento pelo pretendente, e aguardou-o durante anos com a esperança de o amado regressar das guerras, mas acabou por se enforcar numa amendoeira. Por compaixão, os deuses transformaram Fílis no próprio galho do qual se enforcara. Quando o arrependido Demofonte retornou, encontrou Fílis na forma de uma árvore desfolhada e sem flores. Abraçou-a e a árvore de repente se cobriu de flores, demonstrando que o amor e a fé não podem ser vencidos pela morte. Até hoje, na terra da Grécia, a amendoeira é um símbolo de esperança.


Phyllis and Demophoön, 1870 - Edward Coley Burne-Jones
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domingo, 11 de setembro de 2011

Divina Sedução


Pomona, a virgem ninfa do bosque, passava a vida a cuidar das ervas e das frutas silvestres. Era linda e todos os deuses a cobiçavam. Um deles, Vertuno,estava sinceramente apaixonado, mas o bosque da virgem estava vedado à presença masculina, e Pomona não se interessava por homem nenhum, mortal ou deus. Vertuno, então vai assumindo as formas da natureza e se aproxima – cada vez mais – do bosque de Pomona, apenas para olhar a amada. Um dia ele não resiste. Transformando-se numa velha, invade o território de Pomona – e ganha sua confiança.
Conversam sobre os deuses do Olimpo. Vertuno fala que um deles, o mais belo e forte, está apaixonado por ela, a ponto de perder a cabeça. Conta a Pomona várias histórias sobre mulheres que desprezaram o amor e que foram punidas por Vênus e por Eros. Pomona se impressiona. Quando percebe que a virgem fora seduzida pela idéia de conhecer ao deus que a corteja, Vertuno assume sua face verdadeira; o belo e radiante deus aparece na sua forma mais sedutora. Pomona não resiste. Os dois se amam.



(Almanaque do Amor - Bernardo Pellegrini e Maria Angélica Abramo)


Ilustração - Vertumnus e Pomona por Laurent Delvaux.

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domingo, 28 de agosto de 2011

Setembro


Setembro é o nono mês do ano, mas nem sempre ele ocupou o nono lugar do calendário. No calendário antigo dos romanos, legado por Rômulo, ele ocupava a sétima posição de um ano de dez meses, daí o seu nome ser September.
Quando houve a reforma Juliana, onde se introduziu mais dois meses ao ano, ele então passou a ocupar o nono e atual lugar, no então, calendário Gregoriano.
Note-se que no calendário antigo, o ano começava em abril e terminava em março, sendo que janeiro e fevereiro foram introduzidos depois da reforma.
Podemos verificar essa ordem através dos signos do zodíaco, que começa com Áries (ou Marte) no mês de março
Naquela época os romanos costumavam atribuir um mês a algum deus, deusa ou imperador como uma homenagem a este.

Assim:
Janeiro - era em homenagem ao deus Janus, filho de Apolo e da ninfa Creusa;
Fevereiro - do latim Februarius, de Februs, denominação emprestada a Juno no tempo de purificação e do desagravo.
Março - do latim Martius, de Marte, o deus da guerra, especialmente venerado em Roma;
Abril - supõe-se que se atribuiu o seu nome a Aprilis, um dos espíritos que seguiam o carro do deus Marte, com a sutilieza e a graça da brisa;
Maio - há rumores que teria sido em homenagem à Maia, ninfa das chuvas, a mais bela das sete Plêiades, filhas de Atlas e Plêione.
Junho - em homenagem a Juno, irmã e esposa de Júpiter;
Julho - sendo o quinto mês, era denominado Quintilis, mas foi mudado em homenagem a Julio César, por determinação de Marco Antônio;
Agosto - corruptela do nome latino Augustus, do imperador Augusto César ao qual foi consagrado.
Setembro – apesar de ter sido atribuído a alguns personagens, como Tibério, Germânico, Antonino, Tácito, entre outros... o nome não pegava, talvez em desagrado ao homenageado, pois mal acabava o seu poder, tornavam a chamá-lo September e que permanece até hoje.
Outubro, Novembro e Dezembro também tiveram o mesmo tratamento de Setembro, valendo sempre a sua posição no calendário.


Imagem - As Plêiades
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sexta-feira, 8 de julho de 2011

Corujinha do tempo


Todo mundo já conhece o galinho do tempo. É aquele galinho revestido de um material que vai mudando de cor conforme a umidade do ar.

Técnica desenvolvida por nossos irmãos portugueses.
Quando o ar tem muita umidade ele fica rosa e quando tem baixa umidade ele fica azul.

Isto se deve ao cloreto de cobalto II, um sal de cor azul que se hidrata facilmente, passando a cloreto de cobalto II dihidratado, de cor rosa. Enfeites como “galinhos”, “gatinhos”, "corujinhas" e outros bibelôs são recobertos com esse sal e mudam de cor em função da umidade do ar.
Este sal é muito usado em laboratórios, em estufas de secagem de alguns materiais. Também muito usado para se obter flores desidratadas e, na espionagem, já foi muito usado em tintas de canetas que escondiam mensagens secretas que só eram possíveis de ler quando se submetia o papel a uma secagem, mas hoje todo mundo já sabe disso e não se usa mais em espionagem (rsss).

Esta corujinha do tempo eu ganhei de uma amiga, e com certeza é uma coruja portuguesa.

Esta minha coruja do tempo ultimamente anda se vestindo de cor de rosa, mas hoje ela decidiu mudar de roupa, ela está usando um lilás quase azul. Isto é sinal de que o tempo está mais pra seco, com menos umidade no ar. Mas por aqui, no Rio essas corujinhas não se decidem, ora veste rosa, orar veste azul.

Gosto muito de cor de rosa, mas nestes dias de inverno fico torcendo pra coruja vestir azul.

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sábado, 11 de junho de 2011

Quando o amor faz perder a cabeça.



O louva-Deus, quando ama perde a cabeça.
O macho quando se depara com uma fêmea, se alvoroça, agita as antenas, se sente tão rendido aos apelos do amor que, embora não pareça ignorar o destino que o aguarda, enfrenta-o com desprezo. Alucinado de amor, avança e abraça a companheira. Até duas horas, dura o enlace. Mas a fêmea espera o primeiro ensejo e devora-o.
Muitas vezes o macho não terminou o seu abraço nupcial e já está decapitado. Deste sim, pode-se dizer que o amor faz perder a cabeça.

E há ainda quem se queixe de sua mulheres.



Hitoshi Nomura (Biólogo)


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quinta-feira, 2 de junho de 2011

Junho


Junho é o sexto mês do nosso calendário e o quarto instituído por Rômulo. Era o mês da juventude. E durante o seu transcorrer, celebravam-se festas em honra aos rapazes e moças, denominadas JUNIORIBUS.

Junho, do latim Junius, mês consagrado a Juno, divindade romana, filha de Saturno e de Réia, irmã de Júpter, Netuno, Plutão, Ceres e Vesta. Casou-se com Júpter, seu irmão gêmeo, de quem teve três filhos: Hebe, Marte e Vulcano.

Juno era a divindade protetora desse mês e obrigatoriamente o primeiro dia era festejado. Sendo Juno a mais bela, a mais augusta e respeitável das deusas, era consagrada como modelo de mulher perfeita. Personificando a fidelidade conjugal, era tida como a deusa do casamento, sob o nome de PRONUBA.
Os pintores representam JUNO em cima de um coche tirado por pavões, tendo uma ave destas ao seu lado.
Vários dias deste mês eram festejados pelos romanos. No dia 8, as festividades honravam a MENS, deus da inteligência, e a SUMANO, senhor do trovão e do relâmpago. A deusa FORTUNA, chave da felicidade ou infelicidade, era consagrada no dia 24.


Juno para os Romanos - Hera para os Gregos.

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domingo, 1 de maio de 2011

A Flauta de Pã


A ninfa Sírinx vivia feliz nos campos até começar a ser perseguida pelo luxurioso e insaciável Pã, cujo nome em grego significa "tudo". Na mitologia grega, Pã era o deus dos caçadores, dos pastores e dos rebanhos. Era representado por uma figura humana com orelhas, chifres, cauda e pernas de bode.
Cansada de fugir da perseguição, a ninfa implorou ao deus-rio Ladon que a ajudasse. Sensibilizado, ele a transformou numa planta: o junco. Esta planta, apesar da aparente fragilidade, tem uma força oculta, pois verga, mas não quebra. Entre desapontado e profundamente entristecido pela perda da ninfa, Pã resolveu criar com os caules do junco, um instrumento para expressar seu sentimento por meio da música: juntou vários caules cortados em tamanhos diferentes e, assim surgiu a conhecida "Flauta de Pã".

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domingo, 6 de março de 2011

Mulheres e Carnaval


Abre alas (Chiquinha Gonzaga)

Ô abre alas que eu quero passar
Ô abre alas que eu quero passar
Eu sou da lira não posso negar
Eu sou da lira não posso negar

Ô abre alas que eu quero passar
Ô abre alas que eu quero passar
Rosa de ouro é que vai ganhar
Rosa de ouro é que vai ganhar

- Chiquinha Gonzaga não foi apenas uma mulher a frente de seu tempo. Ao lado de Ernesto Nazareth, tornou-se o principal nome da música popular no Brasil na virada do século (19 para 20). Autora de polcas, valsas, tangos e modinhas, fez ainda na virada do século, a marcha de carnaval “Ô abre alas”, de grande sucesso e cantado até os dias de hoje.

- D. Ivone Lara quebra um tabu: seu samba enredo “Cinco bailes na história do Rio” é o primeiro de uma mulher a ser escolhido por uma escola, a Império Serrano, em 1965.

Os Cinco Bailes da Historia Do Rio

Carnaval, doce ilusão
Dê-me um pouco de magia
De perfume e fantasia
E também de sedução
Quero sentir nas asas do infinito
Minha imaginação
Eu e meu amigo Orfeu
Sedentos de orgia e desvario
Cantaremos em sonho
Os cinco bailes da história do Rio

Quando a cidade completava
Vinte anos de existência
O nosso povo dançou
Em seguida era promovida a capital
A corte festejou
Iluminado estava o salão
Na noite da coroação
Ali no esplendor da alegria
A burguesia fez sua aclamação
Vibrando de emoção
O luxo, a riqueza imperou com imponência
A beleza fez presença
Comemorando a Independência

Ao erguer a minha taça
Com euforia
Brindei aquela linda valsa
Já no amanhecer do dia
A suntuosidade me acenava
E alegremente sorria
Algo acontecia
Era o fim da monarquia
Lá rá rá lá rá rá rá rá



O bonde era o meio de transporte mais popular do Rio antigo e estava sempre presente nos carnavais. Em 1937 apareceu esta marchinha, de autoria de J. Cascata e Leonel Azevedo, gravada por Odete Amaral:

"Não pago o bonde, iaiá
Não pago o bonde, ioiô
Não pago o bonde que eu conheço o condutor.
Quando estou na brincadeira
Não pago o bonde nem que seja por favor.
Não pago o bonde
Porque não posso pagar
O meu é muito pouco
E não chega p’ra gastar
Moro na rua das casas
Daquele lado de lá
Tem uma porta e uma janela
Mande a Light me cobrar

Por sua bonita voz, Odete Amaral era sempre convidada a cantar no teatro da escola, além de festas de aniversário. Sua irmã, que muito a admirava, levou-a à Rádio Guanabara para que fizesse um teste. Fez a prova acompanhada pelo pianista Felisberto Martins, cantando Minha embaixada chegou, de Assis Valente. Com o sucesso do teste, a cantora foi logo escalada para participar do programa "Suburbano", onde também se apresentavam Sílvio Caldas, Marília Batista, Noel Rosa, Almirante, Aurora e Carmen Miranda, entre outros.




Outras cantoras de rádio que sempre deram brilho e voz aos carnavais foram
Marlene, Emilinha e Ângela Maria que marcaram a era do rádio como as cantoras mais populares e queridas da Rádio Nacional e chegaram a ser capas de revistas mais de 50 vezes (cada uma).

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