Acompanhar este blog

Mostrando postagens com marcador Caldeirão das Histórias. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Caldeirão das Histórias. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 1 de maio de 2018

Lenda do lírio do vale


A LENDA DO LÍRIO-DO-VALE
Existe uma tradição, na França: no primeiro de Maio oferece-se um ramo de lírio-do-vale (muguet) para dar sorte, pois esta flor floresce normalmente por volta desta data e é a flor da felicidade. 

Diz a lenda que uma flor de lírio-do-vale um dia se apaixonou por um rouxinol que vinha todos os dias ao vale e, pousado no ramo de uma árvore, alegrava tudo em redor com o seu canto maravilhoso. A flor do lírio-do-vale escondia-se por entre as ervas para ouvi-lo cantar. Mas, um dia, o rouxinol deixou de aparecer. O lírio-do-vale esperou-o dia após dia, em vão. Então cheio de tristeza, deixou de florir... Em maio o rouxinol regressou ao vale, e o lírio-do-vale voltou a florir de alegria. Assim, na linguagem das flores, se tornou a flor da felicidade.

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

O gato Chuvisco


O gato Chuvisco

Chuvisco era um gato de olhos muito azuis e bastante curioso, estava sempre a procurar novidades. Morava a duas casas da minha.
Sua dona o tratava muito bem e ele se deliciava nos seus afagos. Na casa ainda moravam o pai e dois irmãos da sua dona. O pai apesar de ser um velho ranzinza, não lhe queria mal. Mas os dois irmãos não simpatizavam muito com ela, era ele chegar perto e, logo ouvia um “sai daqui”.
Um dia sua dona se casou com um moço  e foi morar em um apartamento e como não teria com quem deixa-lo, ela acabou o entregando aos cuidados do velho pai.
“E agora” - pensou o gato – “o que fazer sem minha dona?”
 O jeito era conquistar o velho que, para sua surpresa passou a cuidar dele com muito carinho, talvez fosse saudade da filha.
Daí os dois se apegaram muito, um ao outro.  Um dia o velho adoeceu e foi preciso ficar no hospital por dez dias e, Chuvisco ficou novamente só, tentou se chegar às outras pessoas da casa, mas elas realmente não lhe davam atenção.
Chuvisco então resolveu sair por aí e foi pulando os muros das casas vizinhas. Eu estava na varanda quando ouvi um miado tão fraquinho. Chuvisco me olhava de cima do muro como que a pedir socorro. Convidei-o a entrar e dei-lhe água e comida. Ele me agradeceu com muitos miados e afagos nas minhas pernas. E Chuvisco foi se adaptando e ficando como se sempre fora meu.
Seu dono saiu do hospital e Chuvisco voltou para ficar com seu Velho, mas todo dia vinha me visitar (coisas de gatos). 
Em pouco tempo, o Velho veio a falecer e, Chuvisco miou muito nesse dia.
Na manhã seguinte, enquanto fazia as arrumações da casa, eu escuto um miado vindo da varanda, era Chuvisco que voltava para ficar definitivamente.

Era a véspera de Natal e ele veio pra ficar. Este foi o meu melhor presente.


***

domingo, 29 de outubro de 2017

Uma história de monstro



A história do  monstro "Marenga do mar".

A noite já ia alta, quando gotas  grossas de chuva começaram a cair.
Corria uma lenda, que em noites de tempestade, um ser monstruoso que vivia no fundo do mar, costumava sair à procura de donzelas distraídas pra saciar a sua fome. Marenga, era como lhe chamavam, Marenga do mar.

Maria vivia sozinha no alto de uma colina e gostava de apreciar a chuva.
Nesta noite a chuva viera forte, com muitos relâmpagos e trovões assustadores., uma grande tempestade... Maria sentiu medo e desejou alguém que lhe fizesse companhia. Mas quem sairia neste tempo pra chegar até sua casa? Lembrou-se do Arenga do mar, apesar de não acreditar na sua existência, era apenas uma lenda. E para se distrair, pôs-se a chamar por ele, como uma brincadeira.
“Marenga do mar  vem dormir mais Eu.”
“Marenga do mar vem dormir mais Eu”

Chamou várias vezes e nada... ela então sorriu. Quando já estava quase adormecendo, ouviu passos se arrastando e ficando cada vez mais perto.
Subitamente os passos pararam e Maria ouviu batidas na porta.
“Quem é? – perguntou.

- “Sou eu, Marenga do mar, que você chamou, Maria, abre a porta que eu quero te comer.”

Maria estremeceu e foi tomada de pânico. Seu gato, vendo-a assim tão assustada, falou por ela:
“Maria lavou mão. Maria lavou pé, Maria já foi se deitar.”

E Marenga repetia:
“Maria abre a porta que eu quero te comer.”

E o gato respondia:
 “Maria lavou mão. Maria lavou pé, Maria já foi se deitar.”

E Marenga repetia:
“Maria abre a porta que eu quero te comer.”

E o gato respondia:
 “Maria lavou mão. Maria lavou pé, Maria já foi se deitar.”

E Marenga repetia e o gato respondia...

Por um instante fez-se um grande silêncio e logo a seguir os passos se arrastaram novamente, mas dessa vez se distanciando, cada vez mais longe.
Maria abraçou o gato e dormiu...


Entrou por uma canela de pato, saiu por uma canela de pinto.

- História que Ceição nos contava em dias de chuva...


terça-feira, 12 de maio de 2015

A Peste

A Peste

Palavrões também saem de moda.
Nem faz muito tempo, era comum num momento de raiva ou inquietação, se ouvir da boca de muitas pessoas, com muito gosto, o impropério “peste”. – Eita peste! Ô peste! 
Uma palavrinha mágica, pois após proferi-la, parecia que a calma se avizinhava.
Seria essa a função da “peste”, trazer calma para quem a requisitasse?

Pois bem! 
Conta-se que a “Peste” é uma senhora alta, muito magra, esquálida até. Trajava um vestido preto todo esfarrapado, trazendo sempre na mão uma agulha de costura imensa com linha enfiada, pronta para o uso. Isto porque, toda vez que se sentava para costurar seu vestido, alguém a chamava, e ela, rapidamente corria para atender tal pessoa. Por vezes, na pressa, conforme o tom e a intensidade do chamado, acabava por rasgar ainda mais o seu vestido.
Conta-se ainda que esta senhora ficava muito zangada e trazia sua agulha, também com a intenção de espetar quem a havia chamado, mas isto se tornava quase que impossível, pois mal chegava perto do indivíduo, outro já a estava chamando.

Nos dias de hoje, não tenho conhecimento que as pessoas continuem chamando por ela. Talvez em lugares mais remotos ou pessoas de mais idade ainda se lembrem da “Peste”.
Acredito que esta senhora tenha conseguido, por fim, costurar o seu vestido e, quem sabe, até ter feito um novo e bem colorido.

Texto de Estela Siqueira




segunda-feira, 2 de março de 2015

O QUINTAL DA MINHA AVÓ





Era um quintal bordado de sombra e sol. Havia canteiros ao redor da casa, junto ao muro, e pequenas bancadas onde minha avó costumava preparar suas mudinhas. O muro, já bem velho e com suas marcas do tempo, resguardava com orgulho esse pequeno paraíso. A goiabeira e um pé de romã ficavam esquecidos lá no fundo.
A romãzeira, quando florescia, iluminava aquele canto com suas flores coloridas, como lanternas em dias de festa. E os frutos, quando amadureciam, se abriam em sorrisos.

As hortênsias... Estas me fascinavam, pareciam querer sempre me agradar com suas flores pequeninas e delicadas, unidas em buquês, imensas bolas coloridas trazendo mais alegria ao jardim... Brancas, azuis e cor de rosa, havia algo de mágico em como elas contrastavam com o verde de suas folhas.

Também havia rosas, cravinas e jasmins. O vento levava o perfume dessas flores pra dentro da casa, deixando uma nuvem de bem estar. E as borboletas passeavam, fazendo lindos bailados no ar. Era mesmo um jardim encantado. Por certo, era moradia de fadas!

Minha avó gostava de plantar mudas em pequenas latas, com que presenteava ou vendia, quando aparecia freguês na bodega. Vó e as plantas se entendiam muito bem, tudo florescia como num passe de mágica.
Seria minha avó, uma fada?
Acho que sim...

(Estela Siqueira – 27/02/2015)

Foto das mudinhas plantadas por um dos netos da minha avo, meu irmão Tonhito, atualmente.


                                                                 ***

sexta-feira, 28 de março de 2014

A bodega da minha avó


Quando eu era menina, bem pequena, gastava muito do meu tempo com a minha avó materna. Dona Izaurinha, como assim a chamavam, tinha uma pequena bodega, onde, além de outros artigos, vendia doces, bolachas e bolachões que ficavam guardados em um armário.
Era um armário grande e alto de madeira escura e portas envidraçadas pelas quais podia se ver as mercadorias, guloseimas que muito atraíam o meu olhar de menina gulosa.
Na prateleira de cima ficavam as bolachas e os bolachões.

 Os bolachões tinham esse nome devido ao seu tamanho, eram umas bolachas do tamanho aproximado de um pratinho de sobremesa. Sua massa era seca, quebradiça e adocicada e era costume comê-los com café.
Na prateleira logo abaixo ficavam os biscoitos em forma de cavalinhos. Eram nesses cavalinhos que meus olhos grudavam e puxando a minha avó pela saia eu apontava pra que ela pegasse um para mim. Sua massa era parecida com a do bolachão, por sinal nem tão gostoso assim, mas para mim era a melhor coisa do mundo.
Competindo com os cavalinhos, na prateleira logo abaixo, ficavam os “tijolinhos”, docinhos de leite que se desmanchavam na boca, espalhando cheiro e sabor delicados que me enchiam de prazer e felicidade.

Na hora do lanche, minha avó me servia café com leite numa xícara verde de ágata e um cavalinho, e depois de tudo, um tijolinho de doce de leite...

Tudo ali cheirava bem, açúcar, baunilha e alfazema, o cheiro da casa da minha avó.

Obs:
Bodega - o mesmo que venda, pequeno armazém
As fotos eu as encontrei na internet, nenhuma delas me pertence.
Alfazema era o cheirinho que minha avó usava nas suas gavetas de roupa.

A casa da avó era contígua à bodega. Podia-se entrar pelo salão de vendas ou por um portãozinho ao lado que dava para o pequeno jardim.

***

terça-feira, 16 de abril de 2013

Doces de minha infância


Numa das esquinas por onde costumo passar encontrei um vendedor de doces. São aqueles que fizeram parte da  infância de quase todo mundo. Não resisto a um destes docinhos.

Geléia.


Doce de abóbora.

Doce de batata doce. 


Mas o de batata doce me levou a um tempo mais distante e me lembrei do Doce de Batata Jozélia.
Quando eu era menina, bem pequena , ainda na cidade que nasci, havia um homem chamado "Seu Zéo", que fazia o doce de batata doce mais gostoso que eu já comi na minha vida.Era um doce pastoso, amarelinho claro e cheiroso como ele só.
Eu ainda não tinha sete anos de idade e a lojinha ficava a poucos metros da minha casa na virada de uma das ruas. Minha mãe me dava o dinheiro e ficava na porta de casa me olhando, quando eu chegava na dobra da rua, olhava para trás pra ver se ela estava lá pra me sentir confiante.
Entrando na lojinha estendia a mão com o dinheiro e Seu Zéo já corria a me atender.
A medida era uma espátula de madeira, que Seu Zéo pegava com a mão direita e na mão esquerda, espalmada, ele colocava um pedaço de papel (não sei se já era papel manteiga) onde seria colocado o doce. Com um movimento lento, ele tirava a porção do doce de dentro de uma lata bem grande e colocava no papel.
Meus olhos de menina gulosa acompanhava todo aquele ritual. Quando ele me entregava aquele papel com o doce de batata doce, eu me transformava na menina mais feliz do mundo.
Era o Doce Jozélia, que Seu Zéo colocou em homenagem aos seus dois filhos José e Zélia.
A fábrica resiste ao tempo, agora com novos donos, mas que continua fazendo o doce de batata. muito gostoso e apreciado por todo o estado de Sergipe, arredores e outras estâncias mais distantes.

Nas minhas andanças pela internet encontrei a história do meu doce. Imagina como fiquei feliz! Pois confirmou toda esta minha lembrança de menina.
A história está AQUI.

Como não tenho foto do Doce de Batata Jozélia, deixo a foto dos três docinhos que também fizeram parte da minha infância.


...


terça-feira, 19 de junho de 2012

Que bicho que deu?




Por volta de 1935, num pequeno povoado do interior do estado de Sergipe, meu avô materno numa das várias fases de sua vida, trabalhou com o jogo do bicho.
Minha mãe, então com quinze anos de idade, o ajudava na pequena bodega de minha avó, escrevendo o jogo para os clientes.
O povo chegava pra fazer sua fezinha e sempre com muita conversa. As pessoas contavam seus sonhos pra minha mãe.  O sonho era o palpite para o jogo.


Minha mãe, sempre muita atenciosa, intuitivamente ajudava a decifrar os sonhos.
Certa vez, uma senhora, fervorosa jogadora, contou que no seu sonho aparecia vários bichos, entre eles um Tigre, do sexo feminino: “Helena, eu vi a tigre em pézinha!”.
Auxiliada por minha mãe, ela fez o jogo, cercando o tigre pelos sete lados.
Deu Tigre na cabeça!



Criou-se a fama então! Minha mãe passou a ser decifradora de sonhos...



O resultado vinha do Rio de Janeiro por telegrama. Para que não se desconfiasse que se tratava de jogo do bicho, cada bicho ganhava um nome. O porco, por exemplo, se chamava Justino. Quando dava porco, chegava o telegrama dizendo: “Justino morreu” – o funcionário do correio corria pra trazer a notícia e suas condolências.


Depois de algum tempo começaram a desconfiar, pois toda semana morria um conhecido... Meu avô pra não criar complicação, acabou com o jogo e procurou outro ofício.


Fotos da Exposição "É o Bicho na Cabeça!" no Centro Cultural da Justiça Federal do Rio de Janeiro.

.......................................................

Se quer saber como surgiu o jogo do bicho entre AQUI
.......................

domingo, 13 de maio de 2012

Histórias de Mães


Folheando um livro antigo me deparei com uma das muitas histórias que a minha mãe contava, e quero deixar aqui registrado como uma homenagem pelo dia de hoje.

A raposa e a cegonha

A Raposa queria zombar da Cegonha. Uma vez convidou-a para jantar em sua casa. A Cegonha foi. A Raposa fez papas e serviu em um grande prato raso. A pobre da Cegonha nada pode comer e até machucou seu grande bico.

A Raposa ria e perguntava se a cegonha não estava gostando e fingia-se até magoada por que a Cegonha nada comia.
A Cegonha, então, voltando com muita fome para casa, pensou: ”tenho que dar uma lição nesta Raposa” e veio então a idéia de retribuir-lhe a gentileza.
Comadre Raposa, você outro dia foi muito gentil comigo. Agora, chegou a minha vez de lhe pagar com a mesma moeda. Venho convidá-la para ir jantar comigo. Vou fazer um bom petisco para a comadre.
A Raposa aceitou o convite. No dia do jantar, a Cegonha preparou papas e colocou-as dentro de um jarro comprido e de gargalo estreito.

A Cegonha meteu o bico e comeu à vontade. Mas, a raposa nada pode comer, só lambeu algum pingo que caiu fora do jarro... A Cegonha deu boas risadas e disse para a Raposa:
“Minha Comadre, isto é para você aprender a não zombar dos outros!...

Moral da história: “Não faça aos outros o que não gostaria que fizessem com você.”

Obs.: A história termina assim, mas a minha mãe complementava, dizendo que a Raposa pediu desculpas à Cegonha e as duas continuaram a ser amigas, prometendo nunca mais zombar da outra (se cumpriram, ah! isso eu não sei!).

Um abraço para todas as Mamães...


sábado, 17 de dezembro de 2011

Que ninguém diga...

... que eu exagerei(rssss) na postagem anterior, sobre os nomes de ruas.


Aqui uma foto de uma das ruas mencionadas,"Rua João Bebe Água", tirada em 1990, na cidade de São Cristóvão, em Sergipe, Nordeste Brasileiro.



E esta, a foto completa da foto da postagem que foi apresentada em detalhe (a vaca passeando).


......................................

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Se essa rua fosse minha...


Passeando pelo “Cadeirinha de Arruar”, me encontrei no meio da “Rua da Cachorra Magra”, nome antigo da rua em que Lúcia mora.
Em resposta aos comentários curiosos pela origem de tal nome, ela diz o seguinte: “Conta a lenda que a tal rua foi batizada por carteiros, que odeiam cachorros, referindo-se a uma cachorra da raça Whippet (galgo) de uns ingleses, que por ali moravam”

O povo cria, o povo faz a história, o povo sabe das coisas.
“A voz do povo é a voz de Deus."

Logo lembrei das histórias que minha mãe contava. Entre muitas outras, nos hipnotizava com suas memórias, as lembranças dos lugares que passara em sua infância e juventude. Ruas com seus nomes cheios de significados, de poesia e a simplicidade do povo.

(Peço licença à Lúcia por esta postagem).

Então vamos às ruas:

Rua do Vai Deitado era a rua que ia dar no cemitério, por onde passavam os cortejos fúnebres.
Rua das Almas era a rua que passava atrás do cemitério, onde as almas penadas passeavam nas altas horas da noite.
Rua do Vai Quem Quer era uma rua sem saída, não servia de passagem para outra rua, portanto só ia lá quem queria.
Rua do Quadro era a rua onde ficava a praça.
Rua da Capela, óbvio, onde ficava a capela do lugar.
Rua da Linha era a rua onde passava os trilhos do trem...
Rua da Poeira: essa nem precisa explicar.
Rua João Bebe Água: segundo a lenda, havia um bêbado, conhecido do lugar, que vivia com a garrafa na mão e sempre que passava alguém lhe perguntava: João, o que bebes? Ao que ele respondia: Bebo Água.

Havia também as ruas com nomes de árvores, de frutas, cada qual com a sua: das mangueiras, das jabuticabeiras, dos oitis... um pomar inteiro.
E ainda segundo a sua geografia: Rua da ladeira, das pedras, da beira do rio, rua do cais, etc.

A maioria dessas ruas trocou de nome para render homenagens a benfeitores, escritores ou vultos da história, mas algumas ainda resistem no tempo e no espaço guardando seu nome original, mostrando sua verdadeira alma...

Você conhece alguma rua assim?
Deixe um comentário.

..........................

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Lenda da Noite


LENDA DA NOITE

No começo do mundo só existia o dia. A noite estava adormecida nas profundezas do rio, o reino da Cobra Grande.
A Cobra Grande guardava a noite para que ninguém a despertasse.

A filha da Cobra Grande casou-se com um belo jovem, mas nunca se deitava com ele, pois sempre era dia e nunca era noite.
Um dia ela disse ao marido:
- Meu esposo, tenho muita vontade de ver a noite.
- Minha mulher, só existe o dia, respondeu-lhe o marido.
- A noite existe, sim! Meu pai guarda-a no fundo das águas. Mande seus criados buscá-la, suplicou a moça.
Os criados partiram ligeiros em busca da noite. E transmitiram ao pai o pedido da filha. A Cobra Grande então entregou-lhe um coco de tucumã, avisando-os:
- Muito cuidado com este coco! Se ele for aberto, tudo escurecerá e todas as coisas se perderão.
Durante a viagem, os criados ouviram, dentro do coco, um barulhinho assim: xê-xê-xê, tem-tem-tem...
Curiosos, os criados abriram o coco e tudo escureceu.
A moça disse então ao marido:
- Meu esposo, os criados soltaram a noite. Agora tudo ficará escuro e todas as coisas se perderão.
O marido espantado, perguntou-lhe: - Que faremos? Precisamos salvar o dia!
A filha da Cobra Grande, então, arrancou um fio de seus cabelos e disse: - Com este fio, vou separar o dia da noite. Feche os olhos, meu esposo... agora pode abri-los e repare. A madrugada já vem chegando. Os pássaros cantam anunciando o sol.
Mas quando os criados voltaram, a filha da Cobra Grande os transformou em macacos, por sua infidelidade.
Assim nasceu a noite. Assim surgiram os macacos.


Lenda dos Índios da Amazônia do Brasil


Existem muitas maneiras de contar esta lenda, mas esta eu encontrei num livro, bem antiguinho, de 1965 – BRASIL, MINHA PÁTRIA de Theobaldo Miranda Santos ... e achei oportuno postar.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

No caldeirão das histórias


Como todo mundo sabe, hoje se comemora o Dia das Bruxas.
Estava pensando numa postagem sobre o assunto para deixar aqui, e acabei me lembrando das histórias que ouvi quando criança.

Minha mãe sempre tinha uma pra contar, as de fadas eram as minhas preferidas. Eu e minhas irmãs ficávamos escutando aquelas histórias tão cheias de fantasias, recheadas muitas vezes por fatos de nosso cotidiano, sem que nos apercebêssemos disso. E assim ela nos educava sempre mostrando o lado da bondade, da delicadeza, da satisfação do dever cumprido.

Apesar de possuírem uma varinha mágica, as fadas tinham que seguir uma regra: elas não podiam utilizar a varinha e nem seus poderes em seu próprio benefício. Se o fizessem, o encanto se acabava e elas se transformariam em simples mortais.
Algumas acabavam transgredindo a lei e enfurecidas por perderem os poderes se transformando em simples mortais, acabavam virando bruxas, trocando a varinha por vassouras, cabelos desalinhados e caldeirões com poções mágicas cujas receitas ainda podiam se lembrar.

Tinha uma história que eu gostava muito:
Eram três fadas que moravam numa casa na floresta. Elas eram muito ocupadas, passavam quase todo o dia fora para atender aos pedidos das pessoas e nunca tinham tempo pra elas e seus afazeres.
Sua casa estava sempre desarrumada, com muita louça pra lavar, roupa pra passar, chão pra varrer, comida por fazer, etc.
Um dia, uma moça muito alegre, filha de lenhadores, andava pela floresta à procura de alimentos pra levar pra casa.

Nesta caminhada acabou por encontrar a casa das fadas no meio da floresta. Chamou por alguém, mas ninguém atendeu, tornou a chamar e nada, então resolveu entrar... Ficou assustada ao ver tamanha bagunça em tão pequeno espaço.
Pensou: “não sei quem mora aqui, mas por certo devem ser pessoas muito ocupadas, pois não tem tempo nem de arrumar suas coisas. Vou fazer-lhes uma surpresa.” E começou a varrer, a lavar e passar. A casa ficou limpa, arrumada e toda cheirosa. Ouvindo as vozes que se aproximavam, ela fugiu para não ser vista.

As fadas quando viram tanta transformação ficaram muito contentes e agradecidas, pois estavam quase usando suas varinhas para a arrumação da casa, com o risco de se transformarem em bruxas..
Olharam umas pras outras e cada uma foi dizendo:

“Falemos manas, falemos!
Quem tanto bem nos fez,
Carpins de ouro nasçam em seus pés.”

“Falemos manas, falemos!
Quem tanto bem nos fez,
Uma estrela de ouro nasça na testa.”

Falemos manas, falemos!
Quem tanto bem nos fez,
Bolas de ouro saiam de sua boca quando falar.”

E assim a moça, com tanto ouro, pode ajudar seus pais e nunca mais faltou alimento em sua casa. Casou e teve filhos.
Sua estrela brilhou tanto que ela acabou sendo uma Rainha, a mais querida de todos os tempos.


................................
Bem... vou parar por aqui, pois estas histórias não têm fim. Talvez eu volte a falar mais sobre este assunto pois, apenas uma linha muito sutil é que separa a fada da bruxa.

Espero que tenham gostado.
...............