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segunda-feira, 27 de abril de 2015

Aulas de Bordado





Eu gostava muito das aulas de bordado da minha escola. Cada aluna pegava o seu material e a mestra, então, ia ensinando uma por uma, ponto por ponto. Com que doçura ela fazia isto!
Ponto de haste, ponto atrás, ponto cheio, ponto corrente, bainha aberta, ponto Paris, entre outros...
O primeiro trabalho era uma amostra com os pontos mais básicos. A mestra observava todas nós e à medida que uma aprendia bem os pontos, ia ajudando a uma outra colega que apresentasse alguma dificuldade.
Depois que tínhamos aprendido os pontos básicos, teríamos a tarefa de fazer um trabalho para apresentar, no final do ano, na exposição promovida pela escola.
A escolha seria ao gosto de cada uma, então saíamos em busca do material nas lojas especializadas. O tecido já era vendido riscado para bordar. Eram muitas as opções de riscos, mas na sua maioria, ingênuos e românticos. Escolhíamos as cores e texturas das linhas para melhor representar os trabalhos. Chegávamos em casa eufóricas, já imaginando como ficaria aquele pedaço de pano todo bordado.
Os motivos de flores eram os meus preferidos, e passo a passo eu ia plantando flores com os pontos mais bonitos que aprendera: jardins bordados de sonhos coloridos.

Estela Siqueira

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terça-feira, 14 de abril de 2015

OBSERVATORIO DO VALONGO - RJ


Prédio principal 
Foto de Nilton Maia 

 "Ora ( direis ) ouvir estrelas!
Certo, perdeste o senso!
E eu vos direi, no entanto
Que, para ouví-las,
muitas vezes desperto
E abro as janelas, pálido de espanto "
(Olavo Bilac)

Relógio de Sol
Foto de Nilton Maia


Sim, pálidos de espanto ficamos nós ao visitar o Observatorio do Valongo. 
Uma viagem ao passado e rumo ao mistério das estrelas; além de 
mais uma vista desta nossa cidade, o Rio de Janeiro.
Uma visita imperdível para os que gostam de olhar o céu.

Cronômetros
 Foto de Estela Siqueira


 Cúpula menor
Foto de Nilton Maia


Cúpula maior
Foto de Nilton Maia 


 Céu visto da fenda da cúpula
Foto de Nilton Maia

 Instrumentos ópticos
Foto de Estela Siqueira


 Luneta
 Foto de Nilton Maia


 Telescópio fabricado no final dos anos 1800
 Foto de Nilton Maia


 Fenda da cúpula e telescópio
Foto de Nilton Maia


 Telescópio menor
Foto de Nilton Maia


 Vista do mar (Ponte Rio-Niterói)
Foto de Nilton Maia


Vista dos morros
Foto de Nilton Maia


COMO CHEGAR:

OBSERVATÓRIO DO VALONGO - UFRJ
Ladeira Pedro Antônio, Nº 43 – Morro da Conceição – Centro -  RJ 
Acessos: Pela Rua Major Daemon (2ª rua à esquerda, a partir do início da Rua do Acre),
 pela Rua Jogo da Bola (acesso pela Rua Sacadura Cabral) ou 
pelo Jardim do Valongo (na Rua do Camerino). Este último acesso é 
o mais curto, mas com duas escadarias.

As visitas gratuitas e guiadas por astrônomo podem ser feitas de segunda a sexta, das 11 às 16 horas.

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segunda-feira, 2 de março de 2015

O QUINTAL DA MINHA AVÓ





Era um quintal bordado de sombra e sol. Havia canteiros ao redor da casa, junto ao muro, e pequenas bancadas onde minha avó costumava preparar suas mudinhas. O muro, já bem velho e com suas marcas do tempo, resguardava com orgulho esse pequeno paraíso. A goiabeira e um pé de romã ficavam esquecidos lá no fundo.
A romãzeira, quando florescia, iluminava aquele canto com suas flores coloridas, como lanternas em dias de festa. E os frutos, quando amadureciam, se abriam em sorrisos.

As hortênsias... Estas me fascinavam, pareciam querer sempre me agradar com suas flores pequeninas e delicadas, unidas em buquês, imensas bolas coloridas trazendo mais alegria ao jardim... Brancas, azuis e cor de rosa, havia algo de mágico em como elas contrastavam com o verde de suas folhas.

Também havia rosas, cravinas e jasmins. O vento levava o perfume dessas flores pra dentro da casa, deixando uma nuvem de bem estar. E as borboletas passeavam, fazendo lindos bailados no ar. Era mesmo um jardim encantado. Por certo, era moradia de fadas!

Minha avó gostava de plantar mudas em pequenas latas, com que presenteava ou vendia, quando aparecia freguês na bodega. Vó e as plantas se entendiam muito bem, tudo florescia como num passe de mágica.
Seria minha avó, uma fada?
Acho que sim...

(Estela Siqueira – 27/02/2015)

Foto das mudinhas plantadas por um dos netos da minha avo, meu irmão Tonhito, atualmente.


                                                                 ***

domingo, 1 de março de 2015

450 ANOS DO RIO




PARA MINHA CIDADE

Enquanto subo a ladeira que me levará ao Morro do Leme, tendo o mar à esquerda, volto ao passado. Onde estarão tuas ruas limpas, rescendendo a jasmim, com as calçadas em perfeito estado. Onde estarão os bons dias, boas tardes, bois noites com que saudávamos aqueles que, mesmo desconhecidos, cruzavam conosco. Onde as bicicletas disciplinadamente rodando em tuas ruas, sem representar um perigo para os transeuntes, ao invadir o espaço destes. Onde o bonde, os cinemas de bairro, as bem abastecidas padarias, as grandes barbearias, nos tempos em que, de bala, só ouvíamos falar daquelas sortidas, coloridas, saborosas, as quais, mais do que inundar nossos sentidos, deixavam o coração em regozijo, e daquela com que Getúlio pôs termo à vida.
Verdade é que, se o mundo gira, como querer que permanecesses a mesma de outrora? Portanto, fez-se mister que  mudasses, mas não tanto, e que, em tal mudança, deixasses perdido um bom naco de tua alma.
Mas, ao ver como explodes em cores e em beleza, vista do cimo do morro, custa-me conter as lágrimas que se enrodilham na garganta, ameaçando irromper de meus olhos. Como podes ser tão impudicamente bela? Como podes, aos 450 anos, guardar o frescor de uma menina pré-adolescente?
Fico, pois, solenemente, a contemplar-te. Tais perguntas jamais terão resposta.

Nilton Maia (28/02/2015)  



Fotos tiradas do Morro do Leme - RJ

Texto de Nilton Maia do blog:

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